Saturday, November 10, 2007

Museumnacht

A noite em que Amesterdão abre as portas de museus e de instituições pela noite fora. Organizam-se actividades, exposições, muita arte, design, música e muita diversão.

As meninas resolveram começar pela exposição Barcelona1900 (uma desilusão até porque o panfleto referia tapas e as inocentes esqueceram-se que eram tapas à la holandesa) organizada no Van Gogh. Enfim, para esquecer. Pela publicidade que foi feita esperava algo que fizesse mostrasse um pouquinho do charme da cidade do Sô Gaudi. Mas qual quê? Quem não conhece a cidade convenhamos que não se decidirá a visitá-la por causa da exposição.

Enfim, desiludidas lá decidimos que o melhor seria ir até ao De Oude Kerk, já que nos disseram que no ano anterior estava cheio de ritmos étnicos e workshops de dança. Resolvemos experimentar.

Pelo caminho parámos no Theatermuseum e aí fizemos a nossa noite. Worshops de todo o tipo de dança, gente bem disposta, muita animação. Como estávamos numa da palhaçada pusemo-nos a encarnar personagens. Aqui a menina ficou com a parte da gueisha. Trabalhando numa empresa Japonesa, não há nada como precaver o futuro ;-). (Brincadeirinha...). A fotografia revela uma parte da caracterização.

Muito, muito divertido. Como disse a brasuca: as pessoas é que fazem o lugar maió mole antes de chegarmos. Nota: começar a pensar que o Potuguês é falado um pouco por todo o mundo. Porquê? Quando estava a ser "pintada" um senhor entrou e tirou fotos. Fizemos alguns comentários em português e por mera casualidade nada de muito mauzinho. Até que o senhor abriu a boca e perguntou "você é profissional?", na língua de Camões. Até gelámos... Se tivesse ficado calado mais 5 minutos provavelmente teria ouvido algum comentário pouco simpático à sua pessoa.

O reultado final ficou bem engraçado, mas porque isto das palhaçadas também tem limites não ficarão online.

De caminho para o De Oude Kerk ainda parámos numa igrejinha com grandes marcos da Holanda. Fiquei a saber que os Beatles passaram por cá. Engraçado ver as holandesas em histeria. É algo que não se espera de um povo nórdico.

Oude Kerk, uma desilusão. Seguimos para a exposição do Andy Warhol no Stedelijk Museum e é simplesmente incrível. Grande exposição. Garantidamente que vou passar por lá para ver com mais calma e menos gente.

Concluindo, no próximo ano vou sem planos, já que os sítios onde nos divertimos foram aqueles que encontrámos por acaso.

É uma iniciativa interessante de se fazer em Portugal.

Português???

Desde que a miúda do país que tem a música mais incrível do mundo (ou seja, Brasil) começou a fazer parte da minha vida, várias expressões chegaram até mim, que são de soltar gargalhadas.

Exemplos:

“Livro dos porquinhos. Bacana, né?”, tradução “O triunfo dos Porcos”

“Ah, qual é? Vou-me garantir em casa.”, ou seja, não saio de casa sem comer

“xuto logo o balde”, significa por pos pontos nos is (e xuta mesmo).

“e aí guria, tudo bem”, entendível.

“Vai ficar em casa? qual é guria, bora paqueirar, né?” e atenção que, com aquele sotaque incrível diz-se qualué?.

“puta merda, é pepino atrás de pepino”, sem esquecer o “r” enrolado e “pipino”.

“agiliza, guria, agiliza”, esta é a minha preferida, no nosso português o vulgo ‘toca a mexer’.

Começar as frases com puta ("puta, tá um calô! Té tô agoniada. Vim botar um shortezinho" ou “puta, tinha de ver”)

“hoôie- hoôie, tô de fachina”, a primeira parte é para ser cantada com o ritmo da música da escrava Isaura.

“Tô ralando que nem cadela” equivalente ao “trabalhar que nem uma moura”

"maió mala, meu", quando o gajo é chato, vem do facto da mala de mão ser pesada de carregar

"gente embaçada", a engonhar...

E a lista pode continuar...

Mulheridades - Uma hecatombe de desregradas

O convite veio virtual: que tal um blog de mulheres, sobre mulheres e para mulheres - ou homens curiosos que queiram por lá passar.

Vamos lá ver no que dá, mas as expectivas são elevadas. Os primeiros posts já lá estão e já são responsáveis por sorrisos de solidariedade.

A partir de agora estarei aqui também.

Problemas colocados em perspectiva

T começou a trabalhar connosco um par de meses depois de mim. Ascendência Indiana, criada entre o gigante asiático e os Estados Unidos ao que se pode acumular mais 10 anos de trabalho na Europa. Todos os dias aparece com um sorriso rasgado, um olhar que brilha entusiasmo e tem sempre, mas sempre uma palavra de encorajamento e um pragmatismo incrível.

Quando chegou, a empatia foi imediata. Nomeadamente porque em momentos de crise, em que tudo corre mal e até dá medo olhar para e-mails ela saiu-se com a brilhante frase “hey, it’s just work. And work it’s just distraction! Let’s have fun”. E não é que tem razão? Ou quando nos pergunta (e pergunta com alguma frequência): “hey, how are you?” e institivamente a reposta começa com “this supid system is not working again” e ela com uns olhos negros enormes que relevam uma honestidade incrível “that’s work and how are you?”.

Há relativamente pouco tempo disseram-me que o marido tinha falecido e que, por causa disso, tinha ido com os filhos passar uma temporada nos EUA. Metia-me confusão o facto dela tratar o marido no presente. Agora percebo porquê: o marido está incapacitado (física e mentalmente) devido a um acidente coronário. Desde o acidente que foi tentar a recuperação nos EUA e Índia. Voltou há algumas semanas à Holanda. Depende dela para tudo.

Menos mal, pensei. Agora, não sei se será bem assim. De um momento para o outro ela ganhou outra passoa, para além dos filhos, que depende dela para tudo e que, por vezes, não a reconhece. Para além de, no mesmo momento, ter perdido o companheiro, marido ou como ela se refere a ele, com um enorme brilho o olhar “o homem da minha vida”.

Todas as manhãs, depois da correria matinal que qualquer família enfrenta, ainda tem de se preocupar se a enfermeira chega a horas, verificar se os comprimidos/tratamentos/consultas acontecem . Isto porque não “há camas disponíveis para o marido num centro de recuperação em toda a Holanda”. – pois é, não é só em Portugal.

E todas as manhãs quando chega ao escritório tem um sorriso para partilhar e pergunta-nos “how are you?”

Faz-nos pensar...

PS – já me referiu algumas vezes que eu estaria bem a trabalhar numa ONG (ou em consultoria). Não disse que sim nem que não mas preferia a primeira.

Friday, November 09, 2007

um àparte

Pela vista de olhos que dei pela proposta de Orçamento de Estado, bato palminhas por não pagar impostos em Portugal. Pelo menos os meus são para pagar aos lontras dos holandeses. O "livro dos porquinhos", como lhe chama a outra, é espelhado em Portugal com requintes de malvadez. Tanto cavalinhos que por aí há. O que vale é que, de vez em quando, aparece um suíno a agradecer os esforços e o pessoal fica contente.

Blogger Templates by OurBlogTemplates.com 2007